Em seu primeiro quarteto, “Fanatismo” apresenta um eu-lírico que sente a falta do ser
que ama e o fato de não vê-lo é comparado, de forma dramática, à uma cegueira, que também
pode ser entendida como “um não querer enxergar” mais nada além dele. Isso é observado
nos versos “(...) Minh`alma de sonhar-te, anda perdida. / Meus olhos andam cegos de te ver!
(...)” e representa o sofrimento. Já a intensidade desse amor está explícita na comparação do
objeto do desejo com a própria vida: “(...) Pois que tu és já toda a minha vida! (...)”.
Junto com a dor, o segundo quarteto demonstra o desalento diante das situações que
não mudam e que é capaz de levar à loucura. A incapacidade de se alterar o curso natural da
vida leva apenas a uma passagem pelo mundo, onde se consegue no máximo, contemplar seus
mistérios.
Observa-se, nessa primeira parte, a desilusão e o pessimismo, enfocados de maneira
terna e sonhadora, onde a “Dor” está numa posição de destaque. A partir daí, Florbela tende a
fazer uma inversão, colocando nessa posição de destaque o “Amor”, ou seja, transita
sutilmente entre a “Dor” e o “Amor”, sentimentos que para ela, estão intimamente ligados.
A fugacidade da vida, outro tema explorado pela poetisa, é encontrado no primeiro
terceto do poema na passagem “(...) “Tudo no mundo é frágil, tudo passa...” (...)” e quando
a vida parece não ter mais valor, o otimismo emerge do nada, como que por uma força divina,
trazendo consigo o “Amor” em sua maior intensidade, até mesmo platônico, capaz de provocar
uma submissão total, uma entrega sem limites, onde o eu-lírico volta a expressar que o ser
O texto, em seu início, apresenta uma expressão de sofrimento, característica de Florbela que sempre procura entrelaçar o “Amor” e a “Dor”, como se não fosse possível um existir sem o outro. É interessante essa relação, pois, no íntimo, quem é que não gosta de ter saudade ou imaginar a presença da pessoa amada que está longe.Em seu primeiro quarteto, “Fanatismo” apresenta um eu-lírico que sente a falta do ser que ama e o fato de não vê-lo é comparado, de forma dramática, à uma cegueira, que também pode ser entendida como “um não querer enxergar” mais nada além dele. Isso é observado nos versos “(...) Minh`alma de sonhar-te, anda perdida. / Meus olhos andam cegos de te ver!(...)” e representa o sofrimento. Já a intensidade desse amor está explícita na comparação do objeto do desejo com a própria vida: “(...) Pois que tu és já toda a minha vida! (...)”.Junto com a dor, o segundo quarteto demonstra o desalento diante das situações que não mudam e que é capaz de levar à loucura. A incapacidade de se alterar o curso natural da vida leva apenas a uma passagem pelo mundo, onde se consegue no máximo, contemplar seus mistérios.Observa-se, nessa primeira parte, a desilusão e o pessimismo, enfocados de maneira terna e sonhadora, onde a “Dor” está numa posição de destaque. A partir daí, Florbela tende a fazer uma inversão, colocando nessa posição de destaque o “Amor”, ou seja, transita sutilmente entre a “Dor” e o “Amor”, sentimentos que para ela, estão intimamente ligados.
A fugacidade da vida, outro tema explorado pela poetisa, é encontrado no primeiro terceto do poema na passagem “(...) “Tudo no mundo é frágil, tudo passa...” (...)” e quando a vida parece não ter mais valor, o otimismo emerge do nada, como que por uma força divina,trazendo consigo o “Amor” em sua maior intensidade, até mesmo platônico, capaz de provocar uma submissão total, uma entrega sem limites, onde o eu-lírico volta a expressar que o ser amado representa a sua vida, “o seu tudo” independente do que possa acontecer, como podemos verificar no final do poema: “(...) E, olhos postos em ti, digo de rastros: / “Ah! Podem voar mundos, morrer astros, / Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...”
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FANATISMO
Em seu primeiro quarteto, “Fanatismo” apresenta um eu-lírico que sente a falta do ser
que ama e o fato de não vê-lo é comparado, de forma dramática, à uma cegueira, que também
pode ser entendida como “um não querer enxergar” mais nada além dele. Isso é observado
nos versos “(...) Minh`alma de sonhar-te, anda perdida. / Meus olhos andam cegos de te ver!
(...)” e representa o sofrimento. Já a intensidade desse amor está explícita na comparação do
objeto do desejo com a própria vida: “(...) Pois que tu és já toda a minha vida! (...)”.
Junto com a dor, o segundo quarteto demonstra o desalento diante das situações que
não mudam e que é capaz de levar à loucura. A incapacidade de se alterar o curso natural da
vida leva apenas a uma passagem pelo mundo, onde se consegue no máximo, contemplar seus
mistérios.
Observa-se, nessa primeira parte, a desilusão e o pessimismo, enfocados de maneira
terna e sonhadora, onde a “Dor” está numa posição de destaque. A partir daí, Florbela tende a
fazer uma inversão, colocando nessa posição de destaque o “Amor”, ou seja, transita
sutilmente entre a “Dor” e o “Amor”, sentimentos que para ela, estão intimamente ligados.
A fugacidade da vida, outro tema explorado pela poetisa, é encontrado no primeiro
terceto do poema na passagem “(...) “Tudo no mundo é frágil, tudo passa...” (...)” e quando
a vida parece não ter mais valor, o otimismo emerge do nada, como que por uma força divina,
trazendo consigo o “Amor” em sua maior intensidade, até mesmo platônico, capaz de provocar
uma submissão total, uma entrega sem limites, onde o eu-lírico volta a expressar que o ser
O texto, em seu início, apresenta uma expressão de sofrimento, característica de Florbela que sempre procura entrelaçar o “Amor” e a “Dor”, como se não fosse possível um existir sem o outro. É interessante essa relação, pois, no íntimo, quem é que não gosta de ter saudade ou imaginar a presença da pessoa amada que está longe.Em seu primeiro quarteto, “Fanatismo” apresenta um eu-lírico que sente a falta do ser que ama e o fato de não vê-lo é comparado, de forma dramática, à uma cegueira, que também pode ser entendida como “um não querer enxergar” mais nada além dele. Isso é observado nos versos “(...) Minh`alma de sonhar-te, anda perdida. / Meus olhos andam cegos de te ver!(...)” e representa o sofrimento. Já a intensidade desse amor está explícita na comparação do objeto do desejo com a própria vida: “(...) Pois que tu és já toda a minha vida! (...)”.Junto com a dor, o segundo quarteto demonstra o desalento diante das situações que não mudam e que é capaz de levar à loucura. A incapacidade de se alterar o curso natural da vida leva apenas a uma passagem pelo mundo, onde se consegue no máximo, contemplar seus mistérios.Observa-se, nessa primeira parte, a desilusão e o pessimismo, enfocados de maneira terna e sonhadora, onde a “Dor” está numa posição de destaque. A partir daí, Florbela tende a fazer uma inversão, colocando nessa posição de destaque o “Amor”, ou seja, transita sutilmente entre a “Dor” e o “Amor”, sentimentos que para ela, estão intimamente ligados.
A fugacidade da vida, outro tema explorado pela poetisa, é encontrado no primeiro terceto do poema na passagem “(...) “Tudo no mundo é frágil, tudo passa...” (...)” e quando a vida parece não ter mais valor, o otimismo emerge do nada, como que por uma força divina,trazendo consigo o “Amor” em sua maior intensidade, até mesmo platônico, capaz de provocar uma submissão total, uma entrega sem limites, onde o eu-lírico volta a expressar que o ser amado representa a sua vida, “o seu tudo” independente do que possa acontecer, como podemos verificar no final do poema: “(...) E, olhos postos em ti, digo de rastros: / “Ah! Podem voar mundos, morrer astros, / Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...”
BOM DOMINGO.
FANATISMO
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa...”
Quando me dizem isso, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...”
Florbela Espanca
O poema “Fanatismo” de Florbela Espanca é um soneto, sendo portanto constituído de
dois quartetos e dois tercetos, seus versos são decassílabos (medida nova) e apresentam rimas
ricas e interpoladas, no formato ABBA ABBA CCD EED. Não existe refrão, porém o
“enjabement” se faz presente, encadeando idéias, onde um verso só se completa em outro,
como no fragmento “(...) Quando me dizem isto, toda a graça / Duma boca divina fala em
mim! (...)”.
O texto, em seu início, apresenta uma expressão de sofrimento, característica de
Florbela que sempre procura entrelaçar o “Amor” e a “Dor”, como se não fosse possível um
existir sem o outro. É interessante essa relação, pois, no íntimo, quem é que não gosta de ter
saudade ou imaginar a presença da pessoa amada que está longe.
Em seu primeiro quarteto, “Fanatismo” apresenta um eu-lírico que sente a falta do ser
que ama e o fato de não vê-lo é comparado, de forma dramática, à uma cegueira, que também
pode ser entendida como “um não querer enxergar” mais nada além dele. Isso é observado
nos versos “(...) Minh`alma de sonhar-te, anda perdida. / Meus olhos andam cegos de te ver!
(...)” e representa o sofrimento. Já a intensidade desse amor está explícita na comparação do
objeto do desejo com a própria vida: “(...) Pois que tu és já toda a minha vida! (...)”.
Junto com a dor, o segundo quarteto demonstra o desalento diante das situações que
não mudam e que é capaz de levar à loucura. A incapacidade de se alterar o curso natural da
vida leva apenas a uma passagem pelo mundo, onde se consegue no máximo, contemplar seus
mistérios.
Observa-se, nessa primeira parte, a desilusão e o pessimismo, enfocados de maneira
terna e sonhadora, onde a “Dor” está numa posição de destaque. A partir daí, Florbela tende a
fazer uma inversão, colocando nessa posição de destaque o “Amor”, ou seja, transita
sutilmente entre a “Dor” e o “Amor”, sentimentos que para ela, estão intimamente ligados.
A fugacidade da vida, outro tema explorado pela poetisa, é encontrado no primeiro
terceto do poema na passagem “(...) “Tudo no mundo é frágil, tudo passa...” (...)” e quando
a vida parece não ter mais valor, o otimismo emerge do nada, como que por uma força divina,
trazendo consigo o “Amor” em sua maior intensidade, até mesmo platônico, capaz de provocar
uma submissão total, uma entrega sem limites, onde o eu-lírico volta a expressar que o ser
amado representa a sua vida, “o seu tudo” independente do que possa acontecer, como
podemos verificar no final do poema: “(...) E, olhos postos em ti, digo de rastros: / “Ah!
Podem voar mundos, morrer astros, / Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...” (...)”.